sexta-feira, 28 de novembro de 2008

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Te enxergo no que escreve
de José Ricardo Oliveira



mãos percorrendo espaços 
palavras preenchendo vazios 
sentimentos procurando espelho 
caneta e papel guiados pela sua insônia 
noite de amor sobre a escrivaninha 
desejos dentro de fronhas 
sonhos do lado de fora da janela 
gotas de chuva querendo entrar 
alma é vidro 
corpo é pedra 
coração é tijolo 
poesia é argamassa 

te enxergo no que escreve


domingo, 26 de outubro de 2008

Quero ouvir suas mãos me dizendo eu te amo





















photo by Herborg Pedersen

Quero ouvir suas mãos me dizendo eu te amo
não se espante comigo
eu sou assim

Quero ouvir suas mãos me dizendo eu te amo
quando eu sorrio e você olha pra mim

Quero ouví-las quando me toca
e como me toca bem
quero sentir elas dizendo
o quanto me quer também

Quero ouvir suas mãos afinadas
conversando com o violão
namorá-las atentamente
enquanto tecem uma nova canção

E quero ouvir suas mãos cantando
e espalhando por aí a toada
dos contos do seu coração
das cores da sua estrada

Quero ouvir suas mãos me contando
os seus sonhos,
os seus freios,
sua alma de ponta a ponta
quero ouví-las segredando
o que nem mesmo você
se dá conta

Das suas mãos eu quero ouvir tudo
nada precisam calar
nem um pensar mais escuro
ou um intento de desamar

Pouco importa o que elas digam
ou em que tempo
contanto que suas mãos me façam
ouvir você por dentro

Quando quiser me dizer eu te amo
e suas mãos estiverem cansadas
não tenha dúvidas nem pudores

Quando suas mãos não puderem falar
diga a elas que me mande flores

domingo, 14 de setembro de 2008

Poema da chuva



















photo by Kim Zumwalt


As linhas dos seus dedos
são partitura
tocam na minha pele
o mesmo som de tessitura
da chuva que cai lá fora
e que me molha também

Não durmo tão bem
agora
que confessamos que sono bom
é movido a passarinhos
e ao barulho da chuva que cai

Meu corpo não abandono mais
na cama
sem você e tudo mais que você ama

A chuva lá fora me lembra
tanto pra te contar
das noites sem dormir que tive
que por não dormir não sonhava
que podia te encontrar
para então dormir em paz
finalmente
e novamente sonhar
contigo
e ao seu lado
comigo

E você
que nem dormido direito tem
por motivo outro
me fala rouco
um dorme bem

Não há boa noite tão perfeito
quanto esse sorriso bonito
que dorme no rosto contigo
e aquece o meu peito

Por isso essa alegria
de te entregar num poema
o que a coragem pequena
me calou um outro dia
quando a parede cor de aurora
marcou sua pele e em mim
aquela pergunta doce
que só te respondo agora:
sou sim

Sou mulher nessa alma de menina
sou menina nesse corpo se quiser
e sou totalmente sua
e só sua
mulher

Encerro a minha escritura
que lá fora já nasce o dia:
sempre que dormir sem você
quero te acordar
com poesia



p.s.: Boletim extraordinário, meterológico e literário:

a chuva ainda cai lá fora
persistente
e molha a vida
insistente
e rega a flor desse amor por você

que me brota e me faz renascer

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Precisão
















photo by Chip Forelli
Foi preciso um eclipse
para a lua cheia
iluminar meu caminho

a longa estrada de ventania

Foi preciso uma noite
para que um dia sem você
não tivesse música

nem alegria

Foi preciso inspiração
para a primeira vez
saber que já era hora

Foi preciso sabedoria
para te ver e te querer
e deixá-lo ir embora

Pra ser feliz é preciso pouco,
mas é preciso:
de uns olhos verde mel,
dos seus cabelos sem gel
e seu sorriso

E para que no final
esses versos vertam em vida nova
o que hoje é só poesia
preciso de um violão
um canto no seu coração
e você, quando der, todo dia.

sábado, 9 de agosto de 2008

Nascente


photo by Marcelo Larrosa

pensei que o dia havia raiado
lá fora, pois dentro da gente
o sol já nasceu, já se pôs,
e já nasceu novamente

os passarinhos cantam na paulista
(existem passarinhos na paulista)

eles me cobrem como em conto de fadas,
segurando as pontas do lençol
edredon também porque faz frio:
na paulista, eles usam cachecol

durmo finalmente
ninada por uma nascente
com cheiro de poesia:

só me acorde se for noite
e tiver musica do lô
e a sua companhia



terça-feira, 29 de julho de 2008

Perousia




















by Hubble, galáxias Antennae


A segunda vinda
foi como se anunciava:
falsas promessas, nenhuma santidade,
pouca sabedoria, muita palavra

A segunda vinda
foi como eu temia:
reencontrei um conhecido
que não se reconhecia

Sem juízo, sem final
ficou tudo como antes
inconcluído
indefinido
inesgotado
igual

Uma obra
inacabada

Interrompida

por tempo em demasia
por falta de visão
por falta de coragem
por excesso de razão

Por falta do que não foi feito
vou seguindo a vida
esperando outra vinda
uma perousia a mais

Só não espero mais
presença
mesmo incerta
nem que você
saiba a diferença
entre amor e inércia

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Boreas


by John William Waterhouse

sinto esse vento
frio e forte
que vem de algum lugar em você

minha alma se refria
espirra e enche os olhos de água
meu coração quase pára
e pensa se quer bater

um vento azul
mercuriano
que entra ano, sai ano
me abre a janela do corpo
me invade e revolve assim

corre o chão com doze cavalos
o sente sem sequer tocá-lo
e quando brisa chega ao fim

meu amor tem uma só asa
a outra é minha e com ele guarda
num lugar ao norte de mim

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Epigrama



saudade e sono de você.
na minha cama.
me abandono.
eu sei o quê mas não sei como.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Fato


foto by minha webcam


façamos um trato:
você se expressa
eu me retrato

Blog Action Day 2009

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